quinta-feira, 15 de outubro de 2009

UM TEXTO DE LUÍS SERGUILHA

O poeta português Luís Serguilha estará presente no Arte em Andamento da próxima segunda-feira. Enquanto o sarau não chega, leia um texto do poeta.

As masmorras minerais recortam os vencedores dos bilhares glandulares

superiormente dissimulados na exaltação das praxes-bidões de sífilis

onde um exército de detergentes-galgos triturados

pelos dédalos viscerais dos cobradores de abafos fotográficos

explicam a ancestralidade dos exílios dos chocalheiros

como os telefones das cascavéis a calafetarem as detonações gangrenadas das avelãs

sobre as escalas das tábuas dissecadas

pelas assembleias serpenteantes dos melros atlânticos

As cortinas embaladoras de percentagens e de continências rígidas aprovam as vírgulas dos tendões-barbitúricos

que domesticam os pára-raios das pedrarias da circunspecção e os habitantes espontâneos dos aeroportos desalojam

os batalhadores de néons para carregarem o labirinto das saias avarentas

até ao quintal ascendente dos eléctricos da monstruosidade

onde as patas dos respiradouros dos dilúvios químicos

fecham provisoriamente

as dobraduras perfeitas dos desfiladeiros indomáveis

As porcelanas desveladas roçam sabiamente

no cadastro imarcescível dos dedais

e as lojas dos uivos asmáticos circunscrevem

os infractores orgásticos dos códigos

que antecipam o equilíbrio dos açucareiros desconhecidos

Os perfis hidrófobos continuam a incendiar os sorvos ilegíveis

das rabecas espongiformes e as ruas envenenam-se de biografias glaciares

para suplementarem as crostas fluorescentes

que colidem nos voos rasantes dos pássaros-solários


SARAU ARTE em ANDAMENTO - Edição 23 - Nesta segunda-feira, 19/10, as 20:30 - Rua Silveira Martins, 135 - Catete.
Não perca!

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