O poeta João Pedro Roriz faz seu comentário
do filme-sensação da temporada 2011
Achar que a expressão artística depende apenas do talento de seus criadores é pura ingenuidade do público. Pouca gente sabe o quanto a arte pode ser dolorosa, obsessiva ou até mesmo sádica. Talvez por isso, o filme “Cisne Negro”, dirigido por Darren Aronofsky, esteja levantando tanta polêmica.
Com quatro indicações ao Globo de Ouro e cinco ao Oscar, incluindo Melhor Filme, o longa retrata as agruras vividas por uma bailarina que sofre alucinações quando é convidada a assumir o papel principal do balé “O Lago dos Cisnes”.
Aronofsky talvez tenha se deixado influenciar pelo argumento do filme – que deflagra a obsessão dos bailarinos pelo perfeccionismo técnico – ao trabalhar com as complexas cenas másteres, isto é, sequências inteiras filmadas em apenas uma tomada.

O filme denuncia de modo velado o abuso, a pressão e as disputas que acontecem dentro das companhias de dança e que acabam minando a condição psicológica das bailarinas. Essas moças, em busca de superação, são levadas ao limite de suas forças, mas sempre em detrimento de suas integridades físicas, psicológicas e morais.
Tenho a impressão de que “Cisne Negro” não agradará a todos, mas que será um sucesso de bilheteria, justamente por conta das críticas divergentes lidas na imprensa e das opiniões conflituosas de seus espectadores. É o meu voto para o Oscar de Melhor Filme em 2011.
E não perca! A temporada VERÃO ACÚSTICO do Arte em Andamento continua! Na próxima segunda, 28/02, estaremos na Urca!
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